Martha Medeiros tem ocupado meu tempo com suas crônicas. Tais crônicas geram em mim profunda empatia com o que ela quer passar para seus leitores. Eu passei algumas coisas durante esses últimos dias e com toda as complicações que vieram, eu parei pra pensar um pouco em tudo. Do que a vida é feita? Tem tanta gente que só existe porque viver é uma tarefa árdua, mas porque é? O que, afinal, faz essas pessoas se trancarem em suas conchas e colocar um aviso de 'não perturbe' na porta?
Bom, as coisas foram acontecendo em uma velocidade incrível e eu me vi imersa nessas divagações. A vida é isso que tá aí na sua frente e na minha também. É tão simples, tão detalhista que torna-se complicado de notar.
É um casal que termina enquanto outros milhões se formam, um senhor de sessenta anos que decide calçar um all star e sair pra conhecer o mundo, um aluno entediado em sala de aula e outros que chegam em um país desconhecido para fazer intercâmbio, uma pessoa que vira as costas pra outra jurando nunca mais vê-la e outras duas se encontrando depois de tanto tempo sem se ver. É assim, a vida é isso. Um dia você faz, no outro, fazem com você. Um dia você apanha, no outro, bate.
O que é necessário é ter dignidade e honestidade com as pessoas quando faz a escolha de ser passivo ou ativo. Em todas as suas escolhas, pessoas serão afetadas. Basta ser sincero e fazer o melhor. Até mesmo uma separação pode ser algo bom. Claro, que no começo tudo é difícil para ambos os lados. Como diria Inês Pedrosa ''A separação pode ser o ato de absoluta e radical união, a ligação para a eternidade de dois seres que um dia se amaram demasiado para poderem amar-se de outra maneira, pequena e mansa, quase vegetal.'' ou até mesmo Martha Medeiros, ''Se o que foi bom ainda está fresquinho na memória afetiva, é mais fácil transformar tudo em uma outra relação de amor, numa relação de afastamento parcial, não total. Se o casal percebe que está caminhando para o fim, mas ainda não chegou no momento crítico- de não se suportarem- talvez seja uma boa alternativa terminar antes de um confronto agressivo.''. Até a separação que muitas vezes amarga as pessoas diariamente, pode ser algo bom nessa coisa chamada 'vida'. Basta ser honesto, sincero.
A descoberta do óbvio foi um episódio exótico que vou levar pra sempre. Depois de passar por uma separação do tipo que citei, me sentia a pessoa mais desonesta do mundo. Eu não poderia ter deixado começar, não poderia não-sentir, não poderia fazer algo que um dia fizeram comigo. Estava atravessando a faixa de pedestres enquanto pensava nisso e de repente um grito, alguém chamava meu nome. Quando eu vi, alguém que eu não via a tanto tempo, a surpresa virando a esquina e me enchendo de alegria em pleno precipício de existencialismo. Um encontro após um desencontro. Após esse momento, na primeira oportunidade de estar só, pode parecer piegas -que se dane-, mas eu fechei meus olhos e pela primeira vez senti algo emocionante.
Justamente essa descoberta do óbvio, senti o universo gritando pra mim ''é isso, é disso que ela é feita, são encontros e desencontros, sua burra!'' e algumas lágrimas caíram, eram de felicidade.
Tenho plena convicção que se um dia tivessem sido honestos e sinceros comigo da forma que eu tenho sido, teriam me poupado muito sofrimento.
Espero que todo mundo se coloque nesse precipício, que todo mundo se pergunte, que todo mundo observe, que todos desejem esse espetáculo presente, essa dádiva que é o risco de viver. Um dia você, sim você mesmo, vai olhar pra trás e falar 'valeu a pena passar por isso', mas só se arriscar-se.
O texto pode ter fugido muito do que eu pretendia falar, ou não, mas acredite, eu tenho muita coisa pra dizer, isso não é nem um terço. É disso que a vida é feita, e a partir disso, você vai entender do que você é feito.
Uma ótima semana pra todo mundo.
Bruna Bugana.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Tudo colabora para o bem daqueles que piram.
Em um mundo tão corrido, cheio de obrigações, eis-me aqui em véspera de provas, pirando. Sim, pirando.
Estava eu meio doente. Não era gripe, não era febre, não era aids -thankGod-. Era comodismo, era rotina. Chorei por não ter nada à minha volta que permitisse um dia tranquilo, uma chance de respirar com calma. Ontem à noite, para ser mais exata, quase enlouqueci procurando por um direito, uma trégua, para dormir até mais tarde sem acordar às pressas, para ouvir uma música prestando atenção na letra ou rir com mais demora. Tudo tava tão rápido, eu não queria estar.
Não sei se é culpa da semana de provas, mas que se dane de onde vem a culpa, eu só queria mudar.
Antes de dormir, já estava sem esperanças. Até que uma amiga X entrou no msn e disse que precisava me contar uma coisa. Ela me salvou. Me mostrou de forma simples que a vida é pra ser enlouquecida e não para enlouquecer. Alguém entrou na vida dela e da melhor forma, loucamente, perigosamente e intensamente. Não quero entrar em méritos da paixão, mas sim da loucura. Como é bom enlouquecer! Não digo sair por aí, pichando muros, fumando maconha e vomitando na lixeira dos outros. Mas só se dar ao prazer de sair para algum lugar legal quando tiver vontade, se desvirginar de alguma coisa, afinal há milhões de coisas que você nunca fez, porque não fazê-las? Em um mundo tão corrido onde tudo é imposto - a propaganda diz compre, as pessoas dizem seja, o universo diz de forma tão carregada um tenha, ame, beije, faça...- a única coisa que eu quero é sentir o perfume da minha flor favorita, balançar o cabelo na janela do carro, rabiscar um cantinho de mesa com um pedacinho de música, arrepiar com o vento... ai ai, estou suspirando.
Voltando. Depois da confissão da minha amiga, fui dormir mais alegre e pensando em fazer o amanhã -hoje- diferente. No começo, foi terrível. Minha manhã foi péssima, mas assim que cheguei em casa, liguei o chuveiro e sentei no chão. Decidi que não tava nem aí pra mais nada e que hoje ia me dar folga. Assim o fiz.
Tomei meu banho com calma, almocei com calma, dormi ouvindo minhas músicas favoritas, fui tomar açaí com meu namorado e ficamos conversando a tarde toda. Embora a seca em Brasília me irrite bastante, meu dia foi muito bom. Fiz coisas que já não fazia a um bom tempo e agora estou eu nas mesmas condições de ontem, sem estudar para as provas, porém sem desespero. Meu dia foi produtivo, contei histórias, ri, cortei meu dedo D: -rs. Ah, e quando cheguei em casa, tinha um tartellette de morango na geladeira esperando por mim. Bom, acredito que tudo colabora para o bem daqueles que piram. Porque pirar é fugir do normal.
Não falta muito tempo pra acabar o dia, então se acredita que tem alguma coisa que pode fazer ainda hoje que faça você feliz, faça sem medo. Se achar melhor não, faça amanhã ou depois, mas faça. Se não pirar um dia, pode ter certeza que o dia vai pirar você.
Boa noite.
Ps: Créditos a uma outra amiga Y que sempre esteve ao meu lado e que tem me surpreendido como um exemplo de mulher. Sister, você é isso, um exemplo. Mas quer um conselho? Pira.
Bruna Bugana
Estava eu meio doente. Não era gripe, não era febre, não era aids -thankGod-. Era comodismo, era rotina. Chorei por não ter nada à minha volta que permitisse um dia tranquilo, uma chance de respirar com calma. Ontem à noite, para ser mais exata, quase enlouqueci procurando por um direito, uma trégua, para dormir até mais tarde sem acordar às pressas, para ouvir uma música prestando atenção na letra ou rir com mais demora. Tudo tava tão rápido, eu não queria estar.
Não sei se é culpa da semana de provas, mas que se dane de onde vem a culpa, eu só queria mudar.
Antes de dormir, já estava sem esperanças. Até que uma amiga X entrou no msn e disse que precisava me contar uma coisa. Ela me salvou. Me mostrou de forma simples que a vida é pra ser enlouquecida e não para enlouquecer. Alguém entrou na vida dela e da melhor forma, loucamente, perigosamente e intensamente. Não quero entrar em méritos da paixão, mas sim da loucura. Como é bom enlouquecer! Não digo sair por aí, pichando muros, fumando maconha e vomitando na lixeira dos outros. Mas só se dar ao prazer de sair para algum lugar legal quando tiver vontade, se desvirginar de alguma coisa, afinal há milhões de coisas que você nunca fez, porque não fazê-las? Em um mundo tão corrido onde tudo é imposto - a propaganda diz compre, as pessoas dizem seja, o universo diz de forma tão carregada um tenha, ame, beije, faça...- a única coisa que eu quero é sentir o perfume da minha flor favorita, balançar o cabelo na janela do carro, rabiscar um cantinho de mesa com um pedacinho de música, arrepiar com o vento... ai ai, estou suspirando.
Voltando. Depois da confissão da minha amiga, fui dormir mais alegre e pensando em fazer o amanhã -hoje- diferente. No começo, foi terrível. Minha manhã foi péssima, mas assim que cheguei em casa, liguei o chuveiro e sentei no chão. Decidi que não tava nem aí pra mais nada e que hoje ia me dar folga. Assim o fiz.
Tomei meu banho com calma, almocei com calma, dormi ouvindo minhas músicas favoritas, fui tomar açaí com meu namorado e ficamos conversando a tarde toda. Embora a seca em Brasília me irrite bastante, meu dia foi muito bom. Fiz coisas que já não fazia a um bom tempo e agora estou eu nas mesmas condições de ontem, sem estudar para as provas, porém sem desespero. Meu dia foi produtivo, contei histórias, ri, cortei meu dedo D: -rs. Ah, e quando cheguei em casa, tinha um tartellette de morango na geladeira esperando por mim. Bom, acredito que tudo colabora para o bem daqueles que piram. Porque pirar é fugir do normal.
Não falta muito tempo pra acabar o dia, então se acredita que tem alguma coisa que pode fazer ainda hoje que faça você feliz, faça sem medo. Se achar melhor não, faça amanhã ou depois, mas faça. Se não pirar um dia, pode ter certeza que o dia vai pirar você.
Boa noite.
Ps: Créditos a uma outra amiga Y que sempre esteve ao meu lado e que tem me surpreendido como um exemplo de mulher. Sister, você é isso, um exemplo. Mas quer um conselho? Pira.
Bruna Bugana
domingo, 5 de setembro de 2010
Doe.
Oi, gente bonita!
Bom, como sempre não venho aqui há um tempo. Hoje vim postar sobre algo que me incomodou nessa última semana. Eu sempre costumo me perguntar o que devemos fazer, qual é a chave da porta certa que nos leva a uma outra dimensão em um dia normal e rotineiro. Por qual motivo um dia que não te dava expectativa nenhuma começou a te lavar abundantemente com vários sorrisinhos e ar mais leve? Senhoras e senhores, eu tenho a resposta. A palavrinha mágica de tudo isso é: doar.
Sim, doar. Calma, não é que acordei humanitária hoje ao extremo, é pelo simples fato de descobrir oportunidades no 'cada dia' que deixamos passar sem nem cobrar pedágio.
Essa semana eu tentei vê-las de forma mais atenta e de verdade, eu aconselho todos a fazerem o mesmo. Quem melhor do que você pra descobrir as coisas que te dão prazer? Pode ser a coisa mais bizarra e simples e só você conhece, só você sente.
Vou falar um pouco sobre como foi comigo. Primeiro, preciso deixar bem claro que uma das coisas que mais me dá prazer é mudar. Mudar o que for, quem for, onde for.
Comecei por um livro. Eu andava lendo Dom Casmurro (perfeito) e quando acabei não li mais nada. Aí foi quando lembrei de um livro de uma amiga que eu estava na fila desde o ano passado pra ler: Doidas e Santas - Martha Medeiros. O livro foi o fator motivacional de tudo isso. Da reflexão, da mudança e até mesmo do post.
Na maioria das crônicas da Martha o assunto é praticamente esse, a fuga da mesmice. O veneno anti-monotonia fez efeito, graças a Deus. Decidi doar. Doei ao meu quarto mais espaço e mudei os móveis de lugar (pensei em fazer mais e doar a minha cama, mas meu vô me chamou de louca e proibiu o feito, uma pena, afinal eu seria muito feliz em um quarto de hippie e alguém que recebesse a cama, bem mais feliz que eu), doei muita roupa minha que quase não uso e que ficaria mais bonito em outra pessoa do que em mim. Doei a mim mesma o direito de colocar a cara pra fora do vidro com o carro andando rápido, só pra bagunçar o cabelo e sentir o vento frio; Doei sem data especial um 'eu te amo' sem preço e sem peso pra uma amiga minha em um telefonema; Doei um beijo mais demorado no meu pai antes de sair de casa; Doei um sorriso pra moça que sempre vejo de manhã; Doei às minhas ideias mais liberdade; Doei ao meu vestido a não-combinação com um tênis; Doei uma gargalhada no meio da aula sem motivo; Enfim, doei e tô doando. E além do mais, o valor do 'doar' não foi atribuído apenas a mim, como por exemplo, uma amiga X que recebeu um telefonema inesperado de doação após um beijo. Sim, o 'doar' nos deixa leve, bobos e felizes, assim como o 'apaixonar'. Talvez seja até melhor, pois os riscos de se machucar são praticamente opcionais, só se decepciona se doar a si mesmo uma decepção. Só depende de você.
Então vai lá! Eu sei que tem coisa que você nem usa mais e se doar que fará alguém mais feliz, sei que tem coisas que faltam coragem para que possam ser concretizadas, mas que se você doar um pouquinho de insanidade pra elas, talvez te faça mais feliz e além de tudo, o principal, sei que dentro de todo mundo tem um amor, seja ele grande ou pequeno, que quer se libertar e ir para a estante de doação sem olhar o receptor. Não perde tempo, apenas faça isso e confira depois o resultado.
Por exemplo, estou eu aqui doando um pouquinho de Pedro Bial em pleno domingo à noite e confesso estar me sentindo bem com isso.
Por fim, é isso. Aproveitem o poder de doar e receber doações.
Uma boa semana pra todo mundo!
Bruna Bugana
Bom, como sempre não venho aqui há um tempo. Hoje vim postar sobre algo que me incomodou nessa última semana. Eu sempre costumo me perguntar o que devemos fazer, qual é a chave da porta certa que nos leva a uma outra dimensão em um dia normal e rotineiro. Por qual motivo um dia que não te dava expectativa nenhuma começou a te lavar abundantemente com vários sorrisinhos e ar mais leve? Senhoras e senhores, eu tenho a resposta. A palavrinha mágica de tudo isso é: doar.
Sim, doar. Calma, não é que acordei humanitária hoje ao extremo, é pelo simples fato de descobrir oportunidades no 'cada dia' que deixamos passar sem nem cobrar pedágio.
Essa semana eu tentei vê-las de forma mais atenta e de verdade, eu aconselho todos a fazerem o mesmo. Quem melhor do que você pra descobrir as coisas que te dão prazer? Pode ser a coisa mais bizarra e simples e só você conhece, só você sente.
Vou falar um pouco sobre como foi comigo. Primeiro, preciso deixar bem claro que uma das coisas que mais me dá prazer é mudar. Mudar o que for, quem for, onde for.
Comecei por um livro. Eu andava lendo Dom Casmurro (perfeito) e quando acabei não li mais nada. Aí foi quando lembrei de um livro de uma amiga que eu estava na fila desde o ano passado pra ler: Doidas e Santas - Martha Medeiros. O livro foi o fator motivacional de tudo isso. Da reflexão, da mudança e até mesmo do post.
Na maioria das crônicas da Martha o assunto é praticamente esse, a fuga da mesmice. O veneno anti-monotonia fez efeito, graças a Deus. Decidi doar. Doei ao meu quarto mais espaço e mudei os móveis de lugar (pensei em fazer mais e doar a minha cama, mas meu vô me chamou de louca e proibiu o feito, uma pena, afinal eu seria muito feliz em um quarto de hippie e alguém que recebesse a cama, bem mais feliz que eu), doei muita roupa minha que quase não uso e que ficaria mais bonito em outra pessoa do que em mim. Doei a mim mesma o direito de colocar a cara pra fora do vidro com o carro andando rápido, só pra bagunçar o cabelo e sentir o vento frio; Doei sem data especial um 'eu te amo' sem preço e sem peso pra uma amiga minha em um telefonema; Doei um beijo mais demorado no meu pai antes de sair de casa; Doei um sorriso pra moça que sempre vejo de manhã; Doei às minhas ideias mais liberdade; Doei ao meu vestido a não-combinação com um tênis; Doei uma gargalhada no meio da aula sem motivo; Enfim, doei e tô doando. E além do mais, o valor do 'doar' não foi atribuído apenas a mim, como por exemplo, uma amiga X que recebeu um telefonema inesperado de doação após um beijo. Sim, o 'doar' nos deixa leve, bobos e felizes, assim como o 'apaixonar'. Talvez seja até melhor, pois os riscos de se machucar são praticamente opcionais, só se decepciona se doar a si mesmo uma decepção. Só depende de você.
Então vai lá! Eu sei que tem coisa que você nem usa mais e se doar que fará alguém mais feliz, sei que tem coisas que faltam coragem para que possam ser concretizadas, mas que se você doar um pouquinho de insanidade pra elas, talvez te faça mais feliz e além de tudo, o principal, sei que dentro de todo mundo tem um amor, seja ele grande ou pequeno, que quer se libertar e ir para a estante de doação sem olhar o receptor. Não perde tempo, apenas faça isso e confira depois o resultado.
Por exemplo, estou eu aqui doando um pouquinho de Pedro Bial em pleno domingo à noite e confesso estar me sentindo bem com isso.
Por fim, é isso. Aproveitem o poder de doar e receber doações.
Uma boa semana pra todo mundo!
Bruna Bugana
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